
Em nome da Junta de Freguesia e da população da Freguesia, transmito aos nossos convidados uma saudação por terem aceite o nosso convite para aqui estarem neste Plenário.
À população da minha terra quero-vos agradecer por terem respondido ao nosso apelo para aqui estarmos todos a encontrar os caminhos para a defesa na nossa terra.
Esta aldeia de Mina do Bugalho, seguramente mais antiga que a Freguesia, denuncia uma passagem Romana há mais de mil anos dos quais existem vestígios como as minas e as antas dos galvões.
A construção da igreja de São Brás há mais de 450 anos indica que esta terra a que foi chamada de Mina do Bugalho nasceu primeiro que a sua Freguesia, embora tenham sido os Romanos a criar os mais antigos Municípios que mais tarde se transformaram nas modernas Câmaras Municipais de Concelhos, segundo a História de Portugal.
A Freguesia de São Brás dos Matos, sabe-se de fonte segura, porque existem documentos que fazem referência á sua identificação em 1870, já integrada no Concelho do Alandroal.
A actividade extractiva de minério, na nossa terra teve maior incidência entre 1866 e 1905, dados explorados pela Universidade de Évora.
Nessa altura continuava a existir a Freguesia de São Brás dos Matos, que viria a ser anexada a Juromenha mais ou menos em 1930.
Segundo a lenda dos mais velhos, esta decisão foi tomada pela então Câmara do Alandroal, na época fascista, porque Juromenha mostrava interesse em transferir-se para Elvas, por motivos de interesses económicos.
Oito décadas depois, e por divergências também económicas, porque esta população não achava rentável ter que se deslocar a Juromenha nem que fosse a passar um simples atestado, onde os transportes utilizados na altura fossem as pernas decidiu pedir a desanexação da Freguesia de Juromenha.
Com o apoio do P.C.P. e a criação da Lei 37/84, o então deputado do PCP António Vidigal Amaro eleito pelo Distrito de Évora e o Grupo Parlamentar do P.C.P., apresentam na Assembleia da Republica um diploma a propor a criação de várias Freguesias, entre elas a de São Brás dos Matos que viria a ser aprovada em 31 de Dezembro de 1984.
A partir desta data somos Freguesia de São Brás dos Matos, iniciávamos assim várias frentes de trabalho, com a Junta de Freguesia aproximamos o Poder das Pessoas e com elas iniciávamos um percurso de cumplicidade mútua entre eleitos e população que chegou aos nossos dias, a isto sim é respeito pelas pessoas e é uma gestão participada.
Há eleições, as primeiras na nossa aldeia como Freguesia, das quais saiu um executivo, que com várias alterações chegou até aos dias de hoje.
Com uma Freguesia própria, abre-se uma página nova na história desta terra, que décadas atrás tinha perdido a sua independência como hoje se pretende fazer.
Como podem ver nada neste processo é novo, a história esta a repetir-se porque o Poder Central não tem respeito por este Poder Local que emergiu da Revolução de Abril e está plasmado na Constituição da Republica, não é submisso ao Poder Central nem a qualquer outro e como tal deve ser respeitado.
O início dum novo ciclo abre portas a um desenvolvimento, que mais tarde vem tornar a qualidade de vida desta população mais abrangente.
Em determinada altura, tínhamos quase tudo, Escolas, Jardim-de-infância, Igreja Paroquial, Capela com casa de Velório, um Cemitério requalificado, Mini-Mercados, Cafés, Fábrica panificadora, Fábrica de Bolos fintos a afins, empresas de Construção Civil, uma Agricultura e Pecuária que sempre existiu, embora que com a entrada da CEE fosse severamente afectadas, construiu-se um Centro Cultural, um Campo de Futebol, requalificou-se o Largo de São Brás, o Nicho, a Sede da Junta, Construiu-se um novo Posto Médico, uma casa de lazer para os Idosos, um moderno Parque Infantil, um Parque de Seniores único no Concelho e no Distrito de Évora e um Parque de merendas em São Brás, além da parte ajardinada que faz desta Freguesia a mais bela do Concelho.
Dá para perceber a transformação que foi feita a recreação da nossa Freguesia.
Como pontos turísticos, temos umas Antas sem acessos, e que fazem parte do roteiro turístico do Alandroal, mas o caminho iniciado pela Câmara Municipal á cerca de dois anos, foi interrompido, abandonado e assim permanece até hoje. Temos o Cruzeiro de São Brás junto á Igreja Paroquial e uma unidade de Turismo Rural.
Estamos cercados pelo montado Alentejano, onde ainda á varas de porcos de engorda que são transportados para Espanha para fabrico do Presunto Pata Negra e de enchidos regionais.
Com a extinção de um terço das Freguesias que o governo tenta em apagar do Poder Local, vai economizar 0,1% no Orçamento do Estado, o que é indicador que há mais vontade de extinguir Freguesias do que governar o Pais.
A extinção desta Freguesia é rejeitada por toda a População, sentimo-nos inconformados com esta decisão e cabe-nos alertar o Sr. Secretário de Estado da Administração Local, que senão tem melhores alternativas nem problemas mais importantes para resolver no seu gabinete, peça a demissão e vá para casa e com ele leve o Governo da Republica.
Como não aceitamos a junção com a Freguesia de Juromenha, respeitamos a sua população e lutaremos lado a lado se necessário, mas cada terra com a sua Freguesia.
Não é juntar Juromenha á Mina ou vice-versa que qualquer das regiões deixa de desenvolver os seus projectos, nem fica parada no tempo, é necessário que os nossos governantes desçam á terra e governem com cabeça o que até hoje não tem feito.
Nos não aceitamos deixar de ser Freguesia, não venham com balelas que a integração criará novas escalas e dimensão de gestão. Isso é falso porque quem fica a perder são sempre as populações.
Tiraram-nos a Escola, tiraram-nos as credenciais para os doentes não urgentes, reduziram os horários no Centro de Saúde e agora querem-nos tirar a Freguesia! Não a isso dizemos já chega não vamos aceitar que nos roubem mais.
A Junta de Freguesia vai hoje mesmo lançar um abaixo assinado, rejeitando as medidas que visam destruir o Poder Local e liquidar a nossa Freguesia, apelamos a todos que assinem esse baixo assinado, o qual será entregue o mais urgentes possível ao Ministro da tutela e aos Grupos Parlamentares na Assembleia da Republica.
Quero aqui sublinhar que este ataque ao Poder Local e à Junta de Freguesia da S. Braz dos Matos, o consideramos como um violento ataque dirigido à nossa população e aos seus direitos e legitimas aspirações a uma vida digna, esta ofensiva é inseparável dos ataques aos serviços públicos e contribui ainda mais para a desertificação do interior.
Quero apelar á população da minha terra que esteja ao nosso lado, esta terra que é nossa e que amamos e todos ajudamos para que tenhamos muito orgulho em aqui viver, é com essa determinação que vamos trabalhar para aqui termos a nossa Junta e trabalhar para resolver os problemas que são nossos. O Estado tem obrigações para com os seus cidadãos e nós exigimos ser respeitados como pessoas e como Portugueses.
Apelo a todos os que aqui estão connosco, contribuam com a sua opinião, aos nossos convidados que tragam o seu contributo para contribuirmos para que as pessoas da minha terra sejam respeitadas e não tratados como Portugueses de segunda.
Pensamos que cada um com o que é seu não vive enganado; queremos a continuidade da nossa Freguesia.
Obrigado pela presença de todos.